Forno Bom

Mandioca, aipim ou macaxeira: 4 bolos sem trigo que mudam no preparo da raiz

Quatro bolos cremosos de mandioca crua, sem farinha de trigo, a 180 °C por 50 a 60 minutos. O que muda é ralar com o caldo, torcer de leve ou bater a raiz.

Por Criador do Forno Bom · · 5 min de leitura

Bolo de mandioca com coco

Bolo de mandioca que sai seco ou com o centro grudento quase sempre tem a ver com o que foi feito com a raiz antes do forno, e não com a temperatura. Nas quatro receitas do Forno Bom, a mandioca entra crua, sem farinha de trigo, e todas assam a 180 °C, na grade do meio, por 50 a 60 minutos. A diferença está no preparo: ralada com todo o caldo, ralada e torcida de leve num pano, ou batida no liquidificador. Cada caminho muda a textura e o jeito de conferir o ponto.

Mandioca, aipim e macaxeira são nomes regionais da mesma raiz, a mandioca mansa, e o bolo feito com ela aparece em cafés da tarde do Norte ao Sul. Abaixo, as 4 receitas, da mais úmida à mais firme no corte.

Bolo de mandioca com coco

É a versão mais úmida e densa, quase um doce de corte. Leva 1 kg de mandioca crua ralada no lado fino, 3 ovos, 2 xícaras de açúcar, manteiga derretida, 200 ml de leite de coco, 1 xícara de leite e 100 g de coco ralado. A raiz não é espremida: o líquido dela faz parte da umidade, e o porquê está em o erro de espremer a mandioca ralada.

A forma vai bem untada com manteiga. O bolo está pronto quando o topo fica bem dourado, quase caramelizado nas bordas, e o centro não balança quando a forma é mexida. O palito engana aqui, porque a massa é úmida por natureza. Se o topo escurecer rápido, a saída é cobrir com papel-alumínio nos últimos 15 minutos.

Bolo de mandioca cremoso

Os ingredientes são praticamente os mesmos do anterior, com um passo a mais: a mandioca ralada vai para um pano de prato limpo e é torcida uma ou duas vezes, só para sair parte do caldo. Ela deve continuar úmida, nunca seca. Isso reduz o risco de centro grudento e deixa uma textura mais cremosa do que molhada.

A forma é retangular, de 20 x 30 cm, untada com manteiga e sem farinha. O teste é com faca: espetada no centro, ela sai úmida e cremosa, mas sem massa crua líquida. Depois do forno, o bolo precisa de pelo menos 1 hora antes do corte.

Bolo de aipim de liquidificador

É a receita menor e mais prática: 500 g de aipim cru em pedaços, sem o fio central, batidos por 3 a 4 minutos com 3 ovos, 200 ml de leite de coco e meia xícara de leite. Depois entram 1 e 1/2 xícara de açúcar, a manteiga, 50 g de coco ralado e o sal. A massa fica líquida mesmo, e o miolo sai com textura de pudim.

Por render menos, pede forma quadrada de 22 cm ou redonda de 24 cm. Forma pequena e funda deixa a camada alta demais, e o centro não cozinha. O fermento é opcional (1 colher de chá): sem ele o bolo fica mais cremoso; com ele, um pouco mais aerado. O ponto chega quando a superfície está bem dourada e o centro treme pouco; o palito sai úmido, sem massa líquida.

Bolo de macaxeira cremoso

É a versão que mistura os dois métodos. A macaxeira (1 kg) é ralada fina ou batida em pedaços com o leite até virar pasta. Ovos, açúcar, leite de coco, leite e manteiga são batidos à parte por 1 minuto e depois juntados à raiz numa tigela, com o coco ralado. A massa também não é espremida: o líquido garante a cremosidade.

Assa na forma retangular de 20 x 30 cm untada com manteiga e rende 16 pedaços. O topo deve ficar dourado escuro, e as bordas, soltas da forma. O centro precisa estar firme, sem balançar. Tirar o bolo ainda pálido é o caminho mais curto para um meio mole.

O que explica a textura entre bolo e pudim?

O amido. A raiz crua tem muito dele e bastante água. No forno, esse amido absorve o líquido e engrossa, formando um gel firme. Os ovos coagulam junto e dão corte. Por isso nenhum dos quatro cresce como bolo de trigo, e o miolo fechado é o resultado esperado.

Espremer ou não espremer a mandioca?

As receitas divergem de propósito. Manter todo o caldo dá um bolo mais molhado e denso; retirar parte dele dá um miolo cremoso e menos pegajoso. Em nenhum caso a raiz deve ficar seca, como se fosse para tapioca: sem líquido e com parte do amido indo embora, o bolo sai quebradiço.

Dois cuidados valem para todas: ralar no lado fino (ou bater bem) e descartar o fio duro do centro. Pedaços grossos não cozinham no tempo de forno e deixam fibras no miolo.

Por que todos precisam esfriar antes do corte?

O gel de amido só firma depois de esfriar. Quente, qualquer um dos quatro parece cru e escorre na faca. A espera mínima é de 1 hora, e o bolo de mandioca com coco deve esfriar por completo na forma. Guardados cobertos, duram 1 dia fora da geladeira e até 4 dias refrigerados; em pedaços, congelam por até 2 meses.

A escolha depende da textura procurada: mais molhado, com o caldo inteiro; mais cremoso, com a raiz torcida de leve; mais rápido, com o liquidificador.

Quem escreveu

· Criador do Forno Bom

Rodrigo Veríssimo é o criador do Forno Bom. Antes do site, teve uma pizzaria com o mesmo nome, onde o forno era o centro de tudo: a massa, a temperatura e o ponto certo de cada pizza.

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