Bolo de arroz cozido com gosto de almoço: o problema está no tempero da sobra
Arroz com alho e cebola deixa gosto de almoço no bolo. Feito só com sal e batido com leite, ele assa a 180 °C por 45 a 55 minutos em forma com furo.

Bolo de arroz cozido que fica com gosto de almoço tem uma causa conhecida: arroz temperado com alho, cebola ou caldo, sabores que continuam na massa depois do forno. Na receita do Forno Bom, entram 2 xícaras de arroz branco feito só com sal, frio, batidas com 1 e 1/2 xícara de leite por 3 a 4 minutos, até virar um creme liso. A massa assa a 180 °C por 45 a 55 minutos em forma com furo central de 24 cm, e o miolo sai úmido, mais perto de um manjar do que de um bolo aerado.
É uma receita de aproveitamento: transforma a sobra que ficou na geladeira num bolo de coco para o café da tarde, com só 1 xícara de farinha de trigo. Abaixo, a receita completa e os cuidados que fazem o arroz aparecer como textura, e não como sabor.
Receita: Bolo de arroz cozido de liquidificador
Rende 12 fatias · Forno a 180 °C · Tempo total: 1 h 35 min · Forma com furo central de 24 cm, untada e enfarinhada
Ingredientes
Massa
- 2 xícaras (chá) de arroz branco cozido (frio, feito só com sal)
- 1 ½ xícaras (chá) de leite
- 3 ovos
- ½ xícara (chá) de óleo
- 1 ½ xícaras (chá) de açúcar
- 100 g de coco ralado
- 1 xícara (chá) de farinha de trigo
- 1 colher (sopa) de fermento químico em pó
Finalização
- açúcar de confeiteiro a gosto (para polvilhar) (opcional)
Modo de preparo
- Preaqueça o forno a 180 °C e unte e enfarinhe a forma com furo central, inclusive o cone.
- Bata no liquidificador o arroz cozido com o leite por 3 a 4 minutos, até não restarem grãos inteiros.
- Junte os ovos, o óleo e o açúcar e bata por mais 1 minuto.
- Transfira para uma tigela, acrescente o coco e a farinha e misture com batedor de arame.
- Adicione o fermento, mexa delicadamente e despeje na forma.
- Asse por 45 a 55 minutos. Deixe descansar 30 minutos antes de desenformar e cortar e, se quiser, polvilhe açúcar de confeiteiro.
Como saber que está pronto: A superfície fica dourada e uniforme, a massa descola das laterais e do cone e o palito sai limpo ou com leve umidade, sem massa crua.
Qualquer sobra de arroz serve?
Não. O arroz precisa ter sido feito apenas com sal e óleo. Alho, cebola e caldos continuam no sabor depois do forno, e o bolo fica estranho, por mais açúcar que leve.
Em casa onde o arroz é sempre refogado com alho, a saída é separar uma porção antes do tempero ou cozinhar uma pequena quantidade só com água e sal. Arroz de um ou dois dias, guardado na geladeira, funciona sem problema.
O indicado é o arroz branco. O integral cozido até funciona, mas deixa o bolo mais escuro, mais pesado e com gosto de cereal marcado; nesse caso, ele precisa bater por mais tempo.
Por que o arroz bate por tanto tempo?
O arroz cozido é amido que já absorveu água e inchou. Batido com o leite, ele se desfaz num creme que, no forno, firma como um mingau. É esse creme que dá a umidade.
O creme só funciona liso. Grãos meio quebrados endurecem quando o bolo esfria e deixam o miolo granuloso. Por isso, os 3 a 4 minutos de liquidificador são o passo mais importante, e vêm antes de qualquer outro ingrediente, enquanto as lâminas ainda giram com facilidade.
Depois, entram 3 ovos, 1/2 xícara de óleo e 1 e 1/2 xícara de açúcar, por mais 1 minuto. O coco ralado (100 g) e a farinha são misturados numa tigela, com batedor de arame. O fermento, 1 colher (sopa), vai por último, mexido com delicadeza.
Arroz muito seco ou empapado pede 2 colheres (sopa) a mais de leite, para a massa correr bem.
Por que a receita usa forma com furo central?
A massa é úmida e pesada. Numa forma redonda alta e sem furo, o centro fica longe de qualquer parede quente e demora demais para cozinhar, enquanto as bordas passam do ponto. Na forma com furo central de 24 cm, o cone leva calor para o meio da massa, que assa de fora para dentro e de dentro para fora ao mesmo tempo.
A forma vai untada e enfarinhada, inclusive no cone, onde a massa costuma grudar, e segue para a grade do meio. Os sinais do ponto são:
- superfície dourada e uniforme;
- massa descolando das laterais e do cone;
- palito limpo ou só com leve umidade, sem massa crua grudada.
Um pouco de umidade no palito é esperado nesse bolo. Massa crua, mole e brilhante, não. Em forma retangular de 20 x 30 cm, a camada fica mais baixa e o tempo cai para 40 a 45 minutos, com os mesmos sinais.
Quanto tempo esperar antes de desenformar e cortar?
Pelo menos 30 minutos. Quente, o miolo ainda parece cru e desmancha na faca. Ao amornar, o amido do arroz termina de firmar e as fatias saem inteiras. É o mesmo fenômeno do bolo de mandioca cremoso, em que o gel de amido só firma depois que o bolo esfria. Na hora de servir, o bolo pode receber uma peneirada de açúcar de confeiteiro.
Por ser bem úmido, o bolo vai para a geladeira em recipiente fechado e dura até 4 dias. Fora dela, o ideal é consumir no mesmo dia. Em pedaços, congela por até 1 mês, com descongelamento na geladeira.
O bolo fica com gosto de arroz?
Não, desde que o arroz seja só com sal. O coco e o açúcar dominam, e o arroz aparece como textura, não como sabor. Uma colher (chá) de raspas de limão na massa disfarça qualquer lembrança salgada.
Algumas variações mudam o perfil sem mexer na técnica:
- Mais coco: meia xícara do leite trocada por leite de coco.
- Canela e passas: 1 colher (chá) de canela e 1/2 xícara de uvas-passas.
- Com calda: meia lata de leite condensado com meia xícara de leite de coco sobre o bolo quente.
Para tirar o trigo da receita, a farinha pode virar farinha de arroz ou amido de milho, na mesma medida. O bolo fica mais cremoso e mais frágil no corte.
O cuidado que define o resultado acontece um dia antes, no almoço: separar uma porção de arroz antes de temperar.


